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Samoel de Sousa lança Santa Cruz: um marco na sua trajetória musical

Samoel de Sousa lança Santa Cruz: um marco na sua trajetória musical





No dia 15 de agosto de 2025, o músico cabo-verdiano Samoel de Sousa apresentou ao público o seu mais recente single, Santa Cruz.


O lançamento marca quatro anos de uma caminhada artística singular, que vem consolidando a sua voz no cenário da música espiritual contemporânea, sem perder a ligação às raízes culturais da sua terra natal.


Desde o primeiro single, Samoel deixou claro que a sua música não se restringe às temáticas religiosas ou litúrgicas. À semelhança da forma como Jesus Cristo comunicava verdades e valores milenares numa linguagem simples e acessível, o músico tem sabido traduzir princípios espirituais numa expressão inovadora, despida de religiosidade tradicional, capaz de dialogar com crentes de diferentes denominações e também com aqueles que vivem uma espiritualidade livre e universalista.


É neste horizonte que Santa Cruz surge como um divisor de águas. A canção representa a fusão entre fé e identidade, espiritualidade e ancestralidade.


Na letra, Samoel declara:


“Ami e ka nenhun santo,
N ka ben di Belén nen di Jerusalém”


“Mi N ta karega nha cruz;
N ta entregau nha korason ke pe fika na bu mo”


Com estas palavras, o artista assume a sua condição humana, as suas origens étnicas e regionais, e ao mesmo tempo reafirma a sua fé em Deus.


Esta dualidade — entre o peso da cruz e a entrega do coração — reflete um caminho espiritual profundamente enraizado na cultura cabo-verdiana.


A sonoridade de Santa Cruz reforça esta maturidade. Longe de criar um estilo inédito, Samoel opta por explorar e ressignificar elementos da tradição musical de Cabo Verde, inserindo-os num contexto espiritual.


A sua ousadia não está em inventar do zero, mas em emancipar a cultura, elevando o que já é nosso para um espaço de diálogo universal.


Poucos músicos cristãos da atualidade assumem sem constrangimentos este timbre cultural. Nesse aspeto, Samoel distingue-se não apenas dos seus companheiros adventistas e evangélicos, mas de toda uma geração.


Ele mostra que a maturidade espiritual pode caminhar lado a lado com a afirmação identitária, abrindo novas possibilidades de escuta e compreensão.


Talvez a sua obra seja plenamente reconhecida apenas no futuro, como tantas vezes acontece com artistas à frente do seu tempo. No entanto, cada novo lançamento amplia os horizontes da música gospel cabo-verdiana e desafia-nos a acompanhar essa caminhada.


Com Santa Cruz, Samoel de Sousa não apenas lança uma música: ele entrega um manifesto artístico e espiritual, no qual fé e cultura se abraçam para criar uma expressão autêntica e transformadora.






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